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Deu pau no IE6Cameroon

Google Wave – a onda que não pegou

Hoje na hora do almoço conversamos a respeito da morte do Google Wave. Como uma coisa que era prometida como a próxima grande revolução da internet pôde dar tão errado? Há uma gama razoável de recursos úteis (aliás, este artigo, como outros do blog, foi escrito usando o Wave como editor), uma empresa forte por trás e um grande potencial de expansão. Por que, então, ficou tão abaixo mesmo da pior das expectativas?

Os pontos que surgiram na conversa foram os seguintes:

Falta de foco:

Acreditamos que este seja o principal problema. Em nenhum momento falou-se claramente “isso serve pra aquilo” – só se falou que era um milhão de possibilidades, que as pessoas iam ter orgasmos com os recursos mágicos, só que… Não se falou como. Os exemplos apresentados do que fazer com a ferramenta foram pífios e, até onde eu sei, ninguém fez algo que fosse digno de nota usando o Wave.

Interface diferente “Pero no mucho”:

A idéia vendida foi de uma interface revolucionária. A estrutura ousa muito pouco (repare que a diagramação e distribuição, exceto pela caixa de texto, é quase a do Gmail) e, no pouco que ousou, ficou confuso e sem atrativos – caso do box de texto, que tem um monte de recursos mas nenhum exatamente novo.

Por exemplo pra que diabo fazer uma enquete se pode-se usar um Spreadsheet com o próprio Google Docs com mais recursos e sem todo o ruído visual do Wave ao redor?

Excesso de expectativa

Criou-se muita expectativa de revolução para uma ferramenta que foi lançada inacabada. Mesmo que tivesse uma proposta inovadora, a chance de causar uma boa impressão foi totalmente perdida – muitos usuários não dão segundas chances para ferramentas, especialmente se vierem a se sentir “burros” ao usar.

Alguém lembra do vídeo de uma hora e tra-la-lá apresentando o produto e das pessoas em extase assistindo à demonstração? Até a risada gravada do chaves parecia mais sinceras que aquilo.

Ferramentas tardias

Vários recursos desejáveis relacionados à usabilidade só surgiram muito depois do lançamento, como uma forma de aviso sobre novos waves ou a possibilidade de excluir-se de uma lista Wave (embora implementado é MUITO ruim a navegação e são vários cliques até conseguir).

Tudo bem que melhorias podem sempre ser feitas posteriormente, mas creio que a idéia deles que as pessoas querem ficar conectadas às outras para sempre em tudo que for compartilhável é bem errada – até porque, se verdade fosse, divórcio não existiria.

O Wave não é uma onda, é uma ilha

Na ânsia de tentar ser a nova ferramenta de comunicação da internet, rede social, messenger, email e chat tudo ao mesmo tempo, não foi criada forma alguma de interface com outras ferramentas já existentes. Sequer um RSS.

Entendemos que, de forma até prepotente, o Google tentou apresentar um novo paradigma e romper com todos os antigos – mas foi inocência demais acreditar que pessoas largariam ferramentas que usam há anos e começassem a focar tudo no Wave, e que elas não quereriam integração com mais nada. Por que não uma possibilidade de conectar algo ao Facebook? Por que, no começo, sequer com o próprio Gmail tinha conexão? Já foram adquiridos muitos hábitos nos últimos 15 anos, e uma cultura deste tipo não é jogada para o alto de uma hora pra outra.

Para saber da dificuldade de mudar um hábito é só pensar quanto tempo demorou pro e-mail substituir o fax. Para algumas empresas, aliás, isso ainda é uma realidade.

Documentação ruim / falta de incentivo aos desenvolvedores

Por conta talvez da já citada falta de foco, a documentação voltada a desenvolvedores (que poderiam ter sido umas das fontes de salvação) foi escrita de maneira péssima, tornando a possibilidade de que boas idéias vindas da comunidade minguasse muito.

Poucos heróis aventuraram-se a fazer algo para o Wave, mas a maioria resolveu esperar para ver no que dava antes de perder precioso tempo estudando algo que pudesse dar em água. E deu.

Entrada por convite

Outra coisa que frustrou pessoas: se você já tem Gmail, conta no Orkut, conta no Picasa, Gtalk e etc, por que cargas d’água precisa ser convidado para usar uma ferramenta que, em tese, já é parte das suas aplicações/contas Google? Convites são feitos para coisas que são extremamente desejáveis e, se feitos ao acaso, gera uma expectativa de “é bom valer a pena”. Dá sensação de pagar pra entrar num clube privado e descobrir lá dentro que é só um boteco comum.

Tudo que se propôs a resolver já tinha solução

Concordo, muita coisa até pode ser melhor solucionado no Wave, caso por exemplo da função de edição conjunta e compartilhamento de documentos. Mas… As pessoas já faziam isso no Google Docs há anos. E já eram familiares à estrutura “word-like” lá utilizada, afinal, todos já estão bem adestrados desde o win 3.11 a usar aquela estrutura. Não importa o quão mais simples seja a interface, para aquele tipo de solução de editor será, sempre, muito difícil propor algo novo.

Integração demais = lentidão

As possibilidade de juntar tudo e todos é tão grande que por vezes é insustentável manter um wave por muito tempo. Tantos são os aplicativos, replys, icones de participantes, referências internas, referências externas, etc, que só com muita memória RAM você consegue usar o Wave de forma decente.

Puxando a Sardinha para o Chrome

O Google pedia descaradamente para você usar o Wave no Chrome. Sim, é mais do que verdade que o Chrome é um tremendo de um browser, com o melhor “motor” para interpretação de Javascript feito até então, não só o Wave, mas tudo que usa Ajax como base para interface web.

O caso é que o usuário não sabe disso. Se o site está lento, para o usuário a culpa não será do IE6, será do site. Mesmo no Firefox, que é um browser bastante decente, fica insuportável de lento, forçando a usar o Chrome.

Não importa o quão verdadeiro é o fato de que o Chrome lida melhor com Javascript com os outros: a campanha/lavagem cerebral pelo browser da casa sempre vai deixar com aquele fundinho de que foi sabotagem nos outros navegadores (coisa que não foi MESMO). E como tem neurótico a rodo nessa terra, especialmente entre desenvolvedores (isso, aqueles mesmos que poderiam ter salvo aspectos da aplicação), é mais um motivo que afasta os potenciais usuários.

O nome do produto não é “iWave”

Se o google wave fosse produzido pela Apple ou fosse uma app para iPhone, os geeks moderninhos certamente ajudariam a vendê-lo como uma idéia de outro mundo.

Falando mais sério, essa foi outra falha na estratégia do Google: eles tentaram fazer algo que a Apple faz há anos, que é vender qualquer idéia como se fosse revolucionária (mesmo que seja só um iPod grandão com menos recursos que o original).

O lance é que a Apple assume essa postura e o risco do produto não dar certo. Eles perdem com o que não da certo, mas é um risco menor: a Apple conhece bem seu público e já percebeu qual é a forma que eles tendem a agir, então raramente dá uma bola fora (e quando dá sabe exatamente o que falar para o público continuar sentindo-se querido e feliz com o status de ser um possuidor de um produto deles).

Conclusão

De megalomania aos problemas de projeto, é realmente uma pena ver uma ferramenta morrer deste jeito, sem chegar a atingir todo seu potencial. Engraçado, pois uma das coisas que comentamos durante o papo é que, depois de algumas experiências, ela era um bom lugar para juntar material de pesquisa e pequenos Brainstorms (com direito até a descobrir nesse exato momento que há um novo recurso voltado para mind map, que sempre foi um recurso do qual sentimos muita falta).

Quando finalmente achamos o que fazer com a ferramenta o Google decide enterra-la.

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  1. muito bom! Eu achei que vocês não iam lembrar de nada do que foi falado! Haha! Passei pra conferir e ainda achei bem legal o post! É por isso que eu digo que, contudo, vale a pena ser mais um puto (mal) pago, mas trabalhando com vocês! Falou!

  2. é… depois de tantos acertos é justo que role uma bola fora dos caras, não?
    boa, men!
    [ ]s