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Deu pau no IE6Cameroon

iPad: estamos usando direito?

Tirando o pó do blog…

Resolvi escrever algumas impressões a respeito de iPad por dois motivos: primeiro por recentemente ter visto uma palestra a respeito de como os designers gráficos estão migrando as revistas impressas para suas versões online. O segundo motivo foi o bem humorado artigo do amigo Rogério Fratin sobre a não-exploração dos recursos do iPad enquanto plataforma,  tornando este meio algo só um pouquinho mais sofisticado que qualquer dispositivo que tenha um Adobe Reader instalado – só que muito mais caro.

De cara já quero por em xeque a afirmação que vi em alguns lugares dizendo que o iPad é o substituto do notebook/desktop: isso é besteira da grossa, se considerarmos todos os contextos. Um tablet tem tudo para substituir um notebook no caso do usuário comum, aquele sujeito que usa seu computador para apresentar um PPT, jogar, ler emails e usar algumas funções organizacionais (como agendas ou acompanhamento de dados interfaceados), enquanto o notebook continuará encarregado de tudo isso (com uma experiência de usuário mais simples) mais a realização de tarefas que exijam maior complexidade, como tratar imagens, diagramar, programar, gerar wireframes, ilustrar, gerenciar sistemas de interfaces mais complexas ou via terminal, etc.

Mas não é este meu ponto ainda.

Como qualquer outra mídia nova, as pessoas responsáveis pela gênese dos que será divulgado a partir dela usam o mesmo processo de sempre: usam como base algo que já existia, até que a novidade comece a criar sua própria identidade – foi assim a transição do jornal impresso pro rádio, do rádio pra TV, da TV/Rádio/impresso para os videogames e computadores e todas derivações e variações em torno destas mídias.

O grande porém do iPad é que, talvez por uma resistência tradicionalista, talvez pela fobia que o “mercado impresso” tem de ser suplantado por alguma outra mídia (o que na minha opinião NÃO vai ocorrer), as pessoas estão vendo no iPad a “cura” para este fantasma que meios como a internet e os games trouxeram – e estão tropeçando DE NOVO nos mesmos erros que foram feitos há 15, 20 anos.

iPad não é impresso

Algumas redações assumiram que a idéia de revista virtual é simplesmente converter a impressa para um formato de arquivo que possa ser lido na tela. Tudo bem, pode ser feito assim – mas qual a vantagem então de estar no iPad, desconsiderando os custos de produção/impressão? Existe um desespero das companhias em “demarcar território” nas novas mídias, para usar a expressão “saímos na frente” em campanhas de marketing. Mas vale a pena ter este título a qualquer custo? Uma experiência pobre num meio que promete tanto é frustrante para o consumidor e, uma vez que se cria uma imagem ruim, é muito difícil reverte-la.

Este mesmo erro foi cometido anos atrás com a própria internet, os primeiros sites de revistas tentaram (e em alguns casos ainda tentam) ser uma cópia literal da versão impressa. Cheguei a ouvir absurdos de editores que queriam que o site fosse a revista exatamente como na banca, com animação de virar de páginas e tudo mais para emular a experiência do impresso.

Não valeria mais a pena estudar melhor as possibilidades antes de botar a mão na massa?

A internet já fez isso antes

Esquecendo um pouco a febre dos aplicativos que é assunto pra outro post, a tentativa de verter conteúdo impresso para digital já foi feita e já tem característica própria há muitos anos. Por que não se valer dessas experiências?

Uma coisa que vejo de diferencial do texto para web para o de e-revistas é que, dado que o formato das tablets é muito mais cômodo para transporte e leitura,  pode dar-se ao luxo de usar textos longos igual ao das revistas – e não só os míseros parágrafos como os que escrevo agora, limitado pela paciência do usuário para ler blogs (da qual já abusei se você chegou até aqui). :p

Percebi que, ávidos por essa possiblidade, redações montaram não só o texto, mas as próprias revistas como seriam feitas para as gráficas – mesmo que se tenha alterado estilos para o novo tamanho e uma ou outra animação para justificar o meio digital. Os resultados? As interações de iPad são simples como as já oferecidas em 2000 pelo flash 3.0 e o arquivo final é EXTREMAMENTE pesado, às vezes chegando até 1/2 giga numa revista completa, coisa simplesmente absurda ainda mais se tratando dum dispositivo que tem só 64 gigas de memória.

Problemas simples como compressão das imagens de forma correta já baixariam o peso destes arquivos substancialmente. O problema do download é outro que remete também ao final dos anos 1990, quando tinha-se que carregar um arquivo completo para poder lê-lo/interagir com ele. Já que as tablets são voltadas para o uso de internet, não seria mais inteligente usar um sistema para baixar em lotes, como também já foi resolvido com flash e ajax e outros formatos web? Vi alguns testes relativos a isso, mas muito tímidos ainda para melhorar algo de maneira efetiva.

Texto eletrônico não-indexavel é texto morto

Alguns softwares voltados para a conversão das revistas para iPad são, basicamente, print screens tirados do inDesign transformando textos e imagens numa coisa só. Numa pesquisa em impressos você pode, ao ir a uma biblioteca, consultar um índice de cartões separados por autor e por assuntos para tentar encontrar o livro de seu interesse. Num sistema digital, as suas opções são ou usar um sistema de índice de hyperlinks (que pode ser falho, pois normalmente só traz o título da matéria/assunto) ou um sistema de busca, próprio para identificar um termo buscado em partes do texto.

Mas se é um print screen, como se faz isso? É simples: não faz. Você até tem a opção de usar um sistema de índice por hyperlinks, mas… E se o título da matéria for, por exemplo, uma metáfora ou um trocadilho e não refletir claramente o contéudo? Há o recurso de hotspot (um trecho de texto que abre em layer quando clicado, como um popup. Pode ser usado como descritivo), mas realmente não acredito que seja uma solução boa.

Imagine isso num futuro não muito distante, quando houver umas 20 revistas na memória da tablet ou HD exerna, você vai MESMO lembrar que edição falava sobre aquele determinado assunto? Não, você vai querer dar um crtl+f e buscar nos arquivos – o que não vai acontecer se o texto for imagem.

Conclusão

Eu sei que muitos dos problemas citados se devem às experiências de como os Tablets estão sendo aceitos e a cultura de uso que se forma ao redor deles, mas a maioria a meu ver é injustificável – simplificando ao máximo a solução, a colaboração direta de pessoas que já trabalham com mídias digitais mais a conhecimento vindo do meio impresso (em especial na questão da diagramação) geraria uma experiência muito mais empolgante para o usuário.

Mas realmente acredito que não se demorará a criar uma fórmula mais interessante, a maior parte das soluções já está aí, tudo pronto para se usar, é só questão de tempo até se organizarem – e gente capacitada para isso é o que não falta.

 

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  1. Eu concordo com tudo no começo do texto. Mas assim, a impressão do ipad no mercado, em meu ponto de vista, é como (hipoteticamente) se existissem só cartas. Aí, em dado momento, um maluco inventa o cartão postal, e em todos os lugares que vc passa, pode mandar um para sua família longe, amigos… Aí, a impressão dos usuários mais novos, e adeptos é :”caraaaalaho, eu consigo mandar coisas para meus pais e amigos sempre que eu quiser!”…Ué, não era o mesmo apenas com cartas? O postal não faz o mesmo? Sim, faz… mas de maneira diferente.

    Claro que isso é uma situação hipotética, e não tem fundamento histórico algum além da minha percepção. Acho que o ipad é a mesma coisa. O lance é apenas que: ele traz a experiência de vc tocar as coisas com as mãos, e realmente poder folear páginas de internet, pegar textos, pegar coisas virtuais com seus dedos, e balançar a tela… A experiência de vc tocar sua caixa de entrada, ou navegar no google earth, é totalmente diferente de fazer o mesmo com mouse.

    As coisas são as mesmas, e… nenhum atributo pode ser superado pelo ipad: sua tela linda pode ser reproduzida, seu design fininho já é reproduzido… tudo já existe aí em computadores, o ipad é uma cópia. Só que… ele é portátil, liga em um toque, rápido e faz com que todo o ambiente virtual seja “tangível”. Muito mais simpes que ligar seu laptop e carregar o windows, ou mac OS para ver fotos novas do seu priminho de 1 mês, é vc apenas desbloquear o aparelho com dois simples toques, e além disso poder manipular as fotos… com a ponta dos dedos, aumentar, diminutir, girar… Claro que isso existe, mas… de maneira diferente.

    O lance de revistas eu concordo, contudo a Adobe promete aí através de seu novo pacote muitas alterações quanto aos jpegs, e… o PDF também está com muuuuitas coisas legais chegando. Algumas revistas já saíram do convencional de imagens, e o mercado anda se mexendo muito para aproveitar a experiência com o usuário. E… usuário de coisas rotineiras, comuns, como você citou… ler e-mails, chegar os docs no google, consultar um mapa, foto… Mas tá longe ainda de ser algo utilizado tecnicamente para um designer gráfico como uma tablet intuos. Se é essa a premissa, o ipad sai perdendo, contudo, se a premissa é ser um usuário padrão, como tios, avós, jornalistas e pessoas pouco ligadas à tecnologia ou adeptos a ter uma plataforma diferenciada para interagir na internet ou aplicativos simples, acho que é uma ferramenta muito mais simples do que um computador comum. O lance é tão intuitivo que dispensa conhecimento prévio de qualquer coisa.

  2. Anibal

    O grande lance que vejo no Ipad não é sobre tecnologia para gerar firulas, nem novas maneiras de se ler a mesma coisa, mas sim portabilidade e nada mais.

    No colegial os professores já falavam sobre o desenvolvimento de livros digitais.

    Ou seja, consigo carregar a biblioteca inteira pra ler no metrô o que eu quiser.

    Imagine o benefício, por exemplo, de médicos e advogados, que podem se ver livres daqueles pesados livres, simplesmente baixando (e pagando comodamente com seu cartão) a versão digital?
    O médico lendo no corredor do hospital, o advogado na fila do fórum.

    Mas uma questão que já vi ser abordada bem antes de lançarem o iPad, mas que ninguém comenta: com a digitalização dos meios impressos, seja por qual meio ou software (considero essa uma questão menor), qual a durabilidade dos arquivos.

    Sim, todo mundo já tentou abrir um artigo antigo e, pronto, corrompido, inexplicavelmente. Todos arquivos da mesma pasta abrindo, e aquele não.

    Sabemos que um livro ou uma revista dura centenas de ano – com todas as variáveis de conservação.
    Mas quanto dura um arquivo digital?

    abs

  3. Hey, amigos!
    Que bom que você tirou o pó do blog, Vespão. Por favor, não deixem pegar pó, é bom pacas, não pode ficar parado.
    Bem, quanto ao post, alguns pontos tenho a dizer.
    Eu praticamente “ouvi” a conversa quando você citou o “Cheguei a ouvir absurdos de editores que queriam que o site fosse a revista exatamente como na banca, com animação de virar de páginas e tudo mais para emular a experiência do impresso.”, eu tava junto no dia, lamentamos juntos com o café da empresa como o fariam amigos magoados ou entristecidos, brindando com cerveja e afundando as amarguras. Tim-tim.
    No caso do texto que fiz, não sei se fui complicado na hora de falar ou se o povo não entendeu, mas acharam que eu tava falando mal do iPad ou de qualquer outro tablet.
    Um dos comentários interessantes que recebi questionava o fato de “mas eu só quero ler, não quero interagir nem nada…” e eu acho essencial atender (também) o público dos “só-leitores”. O que se esquecem é que uma revista pode ter o nível “só-leitor” mas também pode vir com recursos pra quem quer uma imersão maior no conteúdo, ter experiências e ver mais (recursos, conteúdos) do que vê no impresso.
    Ouço tem um bom tempo (entenda por isso mais de 5 ou 6 anos) que os sites estão desse jeito porque ainda o mercado está aprendendo trabalhar com internet. E, editorialmente, muito pouco mudou. Calma, muito mudou tecnologicamente, mas pouco conceitualmente. Temos uma revista no site, com uma coisinha aqui, outra ali, vídeo acolá. Bela merda. E a mídia, todo o poder dos seus 10MB de internet banda larga, HTML5, vídeos, mídias sociais, servem (só) pra isso?
    E lá vamos nos…

  4. Anibal e Luiz,

    Eu concordo que não é necessário firulas pra ler um texto e acho genial ter toda sua biblioteca num único dispositivo (coisa que o Kindle já fazia antes do iPad por um terço do preço e de forma muito melhor). Não quero que as publicações para iPad sejam como websites, esse papel já existe e está razoavelmente definido. Aliás, acho interessante que sigam os padrões do design gráfico pois, como o Luiz Amorim citou, é intuitivo – temos referências dos movimentos a se fazer das mídias antigas, é ótimo que se tenha aproveitado essa curva de aprendizado prum computador – assim como o Wii fez com games, acho que os tablets “humanizaram” uma tecnologia que causava fobia a muita gente.

    O meu ponto é a forma como isso é produzido, que ainda está num ponto que tem um bocado a evoluir- sendo que muitos deles já estariam resolvidos só olhando pro que já foi feito, como as soluções para cd-rom e os mesmos websites – que mesmo que num padrão diferente, já enfrentaram e resolveram boa parte dos problemas que os iPad publishers tem hoje.

    E este é a mesma tecla (ou “touch” :p) que nosso amigo Roger está batendo: Estamos produzindo coisas que poderiam estar bem melhores prum equipamento que não é só um reader – coisa que qualquer smartphone ou kindle, bem mais simples e baratos (eu particularmente gosto MUITO do Kindle) fazem com maestria já há muito tempo.

    Vale gastar 2000 reais num ipad 2 quando com 300 se compra um kindle que lê livros, marca páginas, guarda anotações e, de quebra, acessa internet normalmente? Repare que eu não entrei no campo dos aplicativos e jogos, esse é outro ponto que não vale a pena discutir agora.

  5. Dan, Anibal, Amorim, acho que a ideia é essa. Melhor, pior, sei lá. O Claudio Ferlauto fala que o norte do design é a cultura. Eu concordo total e acho que o desenvolvimento do design se dá na execução e na discussão. Que lindo ver comentários diferentes de “Bem legal” ou “A-MEI, ver linhas e linhas de opiniões sem dó do teclado. E assim seguimos. Obrigado a todos pela ótima oportunidade que tive lendo tudo isso de ainda ter esperanças que as pessoas não sintam mais preguiça de interpretar as coisas.
    [ ]s!

  6. Anibal

    Bom, para mim é só um leitor, por hora. Não tenho intimidade para ir além disso e, na minha opinião, se for um excelente leitor, já basta.

    Obviamente que muitos outros usuários e futuros usuários tem expectativas diferentes, porque os meios de comunicação estão cada dia mais híbridos, ou seja, um celular deixou de ser um celular faz muito tempo para se tornar agenda/tv/computador e TAMBÉM celular. E até em outros meios, como a geladeira, já acessamos internet, ouvimos música e vemos TB. O hibridismo é um fato e muitos esperam isso.

    Mas o preço do produto não acredito ser algo assim tão questionável. Óbvio que é caro, mas é puro marketing. Alguém tem que pagar por todo o estardalhaço publicitário e quem paga são os consumidores. Não acho que essa questão seja meramente de tecnologia, mas de marketing de consumo. O que leva uma pessoa a pagar 2mil numa tablet cujo conceito ainda não foi completamente desenvolvido e compreendido, é o mesmo que faz centenas vararem noites na fila para comprar o novo iphone.

    Eu, particularmente, gosto de revistas que pareçam revistas e computadores que pareçam computadores. Não curto muito a ideia de um meio imitando outro, embora compreenda os objetivos, e neste ponto concordo com vocês, Danilo e Rogério, que acrescentar conteúdo da mesma foram como está na revista, é melhor ler a revista. Mas tb defendo que talves este seja apenas um detalhe do benefício maior que é a portabilidade – o preço acessível virá com o tempo e as concorrências (que aliás já chegaram).
    abs

  7. Anibal

    Obs: desculpem os erros de digitação acima. Itaipava é uma droga, nunca erro o texto quando tomo Serramalte.